viernes, 24 de junio de 2016

LISBOA. PALAVRAS PARA UMA CIDADE. JOSÉ SARAMAGO

     

Voltou a mim por acaso iste texto de José Saramago que fez um ano partilhei no facebook, é foi este senhor facebook.  quem me recordou o tal texto. 
      Na época da net, e da informação à solta, vale à pena repetir um texto ainda que seja de ano em ano, é bom relêr o bom ainda que tenhamos a sensação de que o que não é o último ja não tem valor. 
     Gosto imenso do texto de Saramago, amém do trecho en negrinha que eu coloquei por razões obvias para um galego, por a sua descrição tão agarimosa ( como diriamos na Galiza), de quem tem na sua cidade um referente existêncial que o jungue a historia e a todos os lisboetas que  fizeram pedra a pedra tão bonita cidade. 
      Lisboa tem um algo que namora, que o estar nela sintes como estar em algo familiar e conhecido. Lisboa olha de frente o forasterio e  tira para ele um doce sorriso. 
       Sempre é um gosto  lêr quaisquer  escrita de Saramago  esta é uma carta de amor. 


Palavras para uma cidade
Mexendo nuns quantos papéis que já perderam a frescura da novidade, encontrei um artigo sobre Lisboa escrito há uns quantos anos, e, não me envergonho de confessá-lo, emocionei-me. Talvez porque não se trate realmente de um artigo, mas de uma carta de amor, de amor a Lisboa. Decidi então partilhá-la com os meus leitores e amigos tornando-a outra vez pública, agora na página infinita de internet e com ela inaugurar o meu espaço pessoal neste blog.Palavras para uma cidade  Tempo houve em que Lisboa não tinha esse nome. Chamavam-lhe Olisipo quando os Romanos ali chegaram, Olissibona quando a tomaram os Mouros, que logo deram em dizer Aschbouna, talvez porque não soubessem pronunciar a bárbara palavra. Quando, em 1147, depois de um cerco de três meses, os Mouros foram vencidos, o nome da cidade não mudou logo na hora seguinte: se aquele que iria ser o nosso primeiro rei enviou à família uma carta a anunciar o feito, o mais provável é que tenha escrito ao alto Aschbouna, 24 de Outubro, ou Olissibona, mas nunca Lisboa. Quando começou Lisboa a ser Lisboa de facto e de direito? Pelo menos alguns anos tiveram de passar antes que o novo nome nascesse, tal como para que os conquistadores Galegos começassem a tornar-se Portugueses…Estas miudezas históricas interessam pouco, dir-se-á, mas a mim interessar-me-ia muito, não só saber, mas ver, no exacto sentido da palavra, como veio mudando Lisboa desde aqueles dias. Se o cinema já existisse então, se os velhos cronistas fossem operadores de câmara, se as mil e uma mudanças por que Lisboa passou ao longo dos séculos tivessem sido registadas, poderíamos ver essa Lisboa de oito séculos crescer e mover-se como um ser vivo, como aquelas flores que a televisão nos mostra, abrindo-se em poucos segundos, desde o botão ainda fechado ao esplendor final das formas e das cores. Creio que amaria a essa Lisboa por cima de todas as cousas.Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória. Memória que é a de um espaço e de um tempo, memória no interior da qual vivemos, como uma ilha entre dois mares: um que dizemos passado, outro que dizemos futuro. Podemos navegar no mar do passado próximo graças à memória pessoal que conservou a lembrança das suas rotas, mas para navegar no mar do passado remoto teremos de usar as memórias que o tempo acumulou, as memórias de um espaço continuamente transformado, tão fugidio como o próprio tempo. Esse filme de Lisboa, comprimindo o tempo e expandindo o espaço, seria a memória perfeita da cidade.O que sabemos dos lugares é coincidirmos com eles durante um certo tempo no espaço que são. O lugar estava ali, a pessoa apareceu, depois a pessoa partiu, o lugar continuou, o lugar tinha feito a pessoa, a pessoa havia transformado o lugar. Quando tive de recriar o espaço e o tempo de Lisboa onde Ricardo Reis viveria o seu último ano, sabia de antemão que não seriam coincidentes as duas noções do tempo e do lugar: a do adolescente tímido que fui, fechado na sua condição social, e a do poeta lúcido e genial que frequentava as mais altas regiões do espírito. A minha Lisboa foi sempre a dos bairros pobres, e quando, muito mais tarde, as circunstâncias me levaram a viver noutros ambientes, a memória que preferi guardar foi a da Lisboa dos meus primeiros anos, a Lisboa da gente de pouco ter e de muito sentir, ainda rural nos costumes e na compreensão do mundo.Talvez não seja possível falar de uma cidade sem citar umas quantas datas notáveis da sua existência histórica. Aqui, falando de Lisboa, foi mencionada uma só, a do seu começo português: não será particularmente grave o pecado de glorificação… Sê-lo-ia, sim, ceder àquela espécie de exaltação patriótica que, à falta de inimigos reais sobre que fazer cair o seu suposto poder, procura os estímulos fáceis da evocação retórica. As retóricas comemorativas, não sendo forçosamente um mal, comportam no entanto um sentimento de auto-complacência que leva a confundir as palavras com os actos, quando as não coloca no lugar que só a eles competiria.Naquele dia de Outubro, o então ainda mal iniciado Portugal deu um largo passo em frente, e tão firme foi ele que não voltou Lisboa a ser perdida. Mas não nos permitamos a napoleónica vaidade de exclamar: “Do alto daquele castelo oitocentos anos nos contemplam” – e aplaudir-nos depois uns aos outros por termos durado tanto… Pensemos antes que do sangue derramado por um e outro lados está feito o sangue que levamos nas veias, nós, os herdeiros desta cidade, filhos de cristãos e de mouros, de pretos e de judeus, de índios e de amarelos, enfim, de todas as raças e credos que se dizem bons, de todos os credos e raças a que chamam maus. Deixemos na irónica paz dos túmulos aquelas mentes transviadas que, num passado não distante, inventaram para os Portugueses um “dia da raça”, e reivindiquemos a magnífica mestiçagem, não apenas de sangues, mas sobretudo de culturas, que fundou Portugal e o fez durar até hoje.Lisboa tem-se transformado nos últimos anos, foi capaz de acordar na consciência dos seus cidadãos o renovo de forças que a arrancou do marasmo em que caíra. Em nome da modernização levantam-se muros de betão sobre as pedras antigas, transtornam-se os perfis das colinas, alteram-se os panoramas, modificam-se os ângulos de visão. Mas o espírito de Lisboa sobrevive, e é o espírito que faz eternas as cidades. Arrebatado por aquele louco amor e aquele divino entusiasmo que moram nos poetas, Camões escreveu um dia, falando de Lisboa: “…cidade que facilmente das outras é princesa”. Perdoemos-lhe o exagero. Basta que Lisboa seja simplesmente o que deve ser: culta, moderna, limpa, organizada – sem perder nada da sua alma. E se todas estas bondades acabarem por fazer dela uma rainha, pois que o seja. Na república que nós somos serão sempre bem-vindas rainhas assim.José Saramago



viernes, 17 de junio de 2016

Como ser um fala-barato ou Cómo parecer inteligente en tu charla TEDx | Will Stephen

   O video parece chegar  o istrionismo e o exagero , mas non  é tanto , é mais real  ainda do  o que o seu autor cómicamente denuncia. . 
    Quanto indocumentado, cuentista, falabarato temos escoitado en conferencias e coloquios E que dizer de tertulias de televisão  ou radio, ou que artigos de  jornal não temos lido. Quanto  escrita de jornal  vácua alinhada  de corta e pega e de pura propaganda o servizo de quem paga.  Iso existe  e anda o nosso arredor.  
     No entanto a denuncia de Will Stephen  tem uma parte  positiva  e é a valorização que fazemos de quando ocurre o avesso do que ele está a narrar. Quando  na universidade, na televisão ou numa conferencia encontramos um mestre, um sabio, que comunica, ensina, sabe, fala coa auctoritas e co repouso de quem estudou, madurou, reflexionou. Quem é capaz de verter  como chuva miuda em riba de nós a sua sabiduria. E o  instante  de  sentirmos a grande felicidade  de desfrutar no  aprendizajem, no conhecemento que  sentimos chegar, do prazer de escutar, só escutar o mesmo tempo que consegue a nossa  adesão de espíritu as ideias que transmite. Um mestre  inza em nós o desejo de procurar mais informação de divulgar o escutado. Entãó  quando esto ocurre  damos grazas a vida  por ainda  haver quem tem o don da palavra e a honestidade intelectual de saber comunicar.  


sábado, 11 de junio de 2016

Información Juridica. Esta cobrando el paro y se va al extranjero tres meses. No comunica su marcha. Tiene que devolver 5.800 euros.


La Sala de lo Social del Tribunal Superior de Justicia de Cantabria ha confirmado la decisión de la administración de reclamar 5.800 euros a una mujer que cobraba la prestación por desempleo y que permaneció durante casi tres meses en el extranjero sin comunicar esta situación al Servicio Público de Empleo Estatal.

Tanto el Juzgado de primera instancia  como la Sala se refieren al decreto de 2013 para la protección de los trabajadores a tiempo parcial en el que se indica que la prestación por desempleo se extingue por traslado de residencia o estancia en el extranjero, salvo que la situación sea comunicada y autorizada por la entidad gestora. 
Aantes de  2013 la ausencia en el extranjero suponía la suspensión en ese tiempo del cobro de la prestación, ahora significa la extinción. 

Se recuerda la exigencia formal de que la salida al extranjero debe ser comunicada y autorizada por la entidad gestoria. 
      

viernes, 10 de junio de 2016

El Pais, una editorial incandescente.



      La   editorial del Païs.  del  domingo  cinco de junio nos  da de cara con la nueva realidad política que tenemos de frente. Nos causa sorpresa el arrebato y el combate de la  editorial con la realidad que se quiera o no está ahí. Y eso que solo es a partir de una encuesta por la que el PSOE pasa detrás del partido  Unidos-Podemos. 

      Desde la transición El País fue   la Biblia del neo-demócrata. Generaciones de españoles leyeron informaciones y formaciones a través de uno de los mejores periódicos de Europa.  Sin duda el liderazgo ideológico  de centro izquierda y de la derecha más democrática salió del País. Su influencia sobre gobiernos de España es indudable. El grupo Prisa en el conjunto de medios de comunicación tuvo y tiene un peso preponderante e influencia  en  la política española. El que nos enseñó como tenía que ser un demócrata ahora nos dice que todo era mentira.
      Sin duda los lectores más sensibles con ideologías de izquierda han visto la evolución del País en los últimos años. De su tendencia amalgamadora de tendencias, su moderación,  su comprensión con movimientos  de todo signo, ha virado ligeramente, y eso es indudable. Sus problemas según se cuenta como empresa, los cambios  actuales en el mantenimiento de la prensa tradicional, los negocios internacionales e influencias de su editor, Juán Luis Cebrián, gurú ideológico de los primeros años de la democracia etc.  Todo pueden ser causas de una deriva ideológica o de un cambio de actitud a aquel periódico abierto a los movimientos sociales y a las inquietudes de una sociedad que quería cambios en la política y la sociedad española.
       Parece como si El País se hubiera hecho viejo ya, cansado que no es  aquel vital joven que devorabam muchos españoles diariamente. Cuando uno fue todo suele soportar mal a los advenedizos. Es Ley de vida, pasa en muchos aspectos de la sociedad y la vida. Pocos son los que son capaces de  liberarse del hombre viejo y escuchar y tratar de comprender a los nuevos, a la nueva generación que llega. Algunos creen que han inventado el mundo y les gustaría que el mundo no se moviese, pero no es así, afortunadamente y antes de llegar ellos ya hubo otros como ellos antes y vendrán otros que suplirán a aquellos.
     Todo fluye, todo está en movimiento,  todo cambia . Ya lo decía  Heráclito  en la Grecia presocrática.

       El meter miedo es  también una forma de influencia política. El País veía como en  la transición otros amenazaban al pueblo con lo que podían hacer los tanques, ahora es más sofisticado todo el miedo se puede meter de muchas formas. Al decir que toda esta impostura, así llamada, le puede salir muy caro a la sociedad española, nos podemos preguntar si le sigue saliendo barata  la actual impostura de la corrupción del conjunto del entramado político-empresarial-clientelar-amiguismo, o la pérdida del mérito  y capacidad en aras del fulanismo y los contactos, o la oxidación de instituciones políticas y judiciales. O las faltas de expectativas para la juventud como ve que se le cierran las puertas de los de siempre y ve como el que no tiene amigos no consigue nada, porque el entramado público de años de contactos-políticos-sociales lo inunda todo.  Nunca sabremos  cual impostura será mayor, lo que si sabemos es que la gente ve una puerta de esperanza y se agarra a ella. No tienen tanto miedo a equivocarse, porque siempre pueden reaccionar, y eso es algo así como la democracia. Comprender el porque el pueblo ahora está pensando así puede ser un ejercicio  de honradez de un periódico grande y honesto, el reñirle por contravenir sus intereses tiene otra calificación.
 
      El País no sólo demoniza al nuevo partido de la Izquierda, riñe a los electores, amenaza con lo que puede pasar, no es sensible ni se para a conocer  los motivos para que el nuevo partido adelante al PSOE. No hay un análisis crítico ni menos comprensivo. Estamos ante una editorial combatiente,  sectaria , más propia de periódicos   de la derecha  que de un periódico  siempre respetuosos con valores democráticos, y sobre todo con respeto al pueblo y a los votantes.


       Todo se resume con esta pequeña síntesis.


        Esta es la situación a tres semanas de la cita con las urnas. No es tiempo de bajar los brazos ni de hacer campañas hipotensas, sino de señalar a los electores los riesgos que entraña la operación en marcha para deprimir al centroizquierda y hacerle frente con arrojo. Se quiere convencer a esa gran mayoría situada en las zonas ideológicas templadas de que no hay más alternativa que el PP o Podemos, cuando no es cierto. Esa impostura puede costarle muy cara a la sociedad española.

jueves, 9 de junio de 2016

Alicia Keys - Girl On Fire


Rapinado na net. No quarto do hospital.



   Rapinado do blog vaievem, pela sua descripção duma situação que temos que pasar de vez em quando.


Olhar o país e o mundo a partir de um quarto de hospital, acompanhando um ente querido,  ensina a relativizar as coisas e a perceber que o que antes parecia importante  e prioritário é capaz de não ser mais do que um momento fugaz que a espuma dos dias e o ruído mediático farão desaparecer substituindo-o por outro e outros que, por sua vez,  se transformarão em novos momentos igualmente breves e fugazes.


A pequena televisão no quarto é a ligação possível com o mundo exterior a quebrar a monotonia das batas brancas e verdes que entram e saem ao ritmo das rotinas estabelecidas. No quarto do hospital o mundo fica lá longe e as notícias tornam-se banais, quase insignificantes.


No quarto do hospital descobre-se que afinal podemos parar o mundo como se ele não existisse, como se as imagens que passam no pequeno écran a que tirámos o som fossem de um outro mundo a que já pertencemos mas que deixou de interessar, simplesmente porque nada mais existe para além das fronteiras  do quarto do hospital.


Há um lado egoísta neste sentimento de que nada é mais importante do que a nossa dor, ela sim insignificante perante desgraças como as centenas de refugiados que morrem cada dia tentando fugir da guerra, da miséria e da morte.


Mas há também um lado criador no sofrimento, que nos faz descobrir ou conhecer melhor o pequeno mundo em que a dor nos encerra. Observar de perto o dia a dia de um hospital é uma experiência dolorosa mas enriquecedora. Podemos então perceber melhor o que está em causa quando fazemos opções políticas e queremos escolher o  modelo de sociedade que melhor acautele os direitos e a dignidade a que todos os seres humanos têm direito. Percebemos aí a importância do estado social e a relevância de o desenvolver e melhorar. E percebemos que temos ainda um caminho a percorrer.


No quarto do hospital os grandes assuntos do momento esfumam-se no silêncio e na meditação, como uma nesga de luz perdida na escuridão. A vida e a morte, o sofrimento e a angústia, a esperança e o desânimo ocupam o espaço e o tempo. O mundo fica lá fora, ausente das imagens que povoam as nossas cabeças….

miércoles, 8 de junio de 2016

Flamenco. No de Andalucía, es de Turquía.


    Ocho siglos de cultura dejan rastros culturales en unos sitios más que otros, en Al-an-dalus, quedó el flamenco o talvez salió de Al-andalus y se difundió por Arabia y Turquía como  territorios musulmanes.
       Es bueno borrar mitos religioso-culturales y saber el porqué  y de donde vienen  las costumbres y el mundo que pisamos.

     Se llama     oyku gudrum y canta con su hernmano, son Turkis.


Roy Orbison - Oh, Pretty Woman (from Black & White Night)

viernes, 3 de junio de 2016

Una madre se niega a mantener a su hijo de diecinueve años por no trabajar ni estudiar. La Audiencia de Pontevedra le da la razón. Una sentecia permite a la madre retirarle la Pensión de alimentos .




Un joven de diecinueve años que  convive con su madre  en Vigo abandona los estudios a los 15 años y hasta  hoy que tiene 19 se negó a seguir estudiando, a aprender un oficio, y a prestar cualquier tipo de trabajo.  Los dos viven en un piso propiedad de los padres  del  ex-marido de la madre.  La madre buscó amparo judicial   en el Juzgado de Vigo que  dictó sentencia  retirando la obligación de la madre a prestar alimentos, el hijo recurrió dicha sentencia  que fue ratificada por la Audiencia Provincial de Pontevedra.

   En base al artículo 152.5º del Código  Civil que  permite  que la autoridad judicial permita que cese  la obligación de prestar alimentos  cuando se dé el supuesto  de que el receptor de alimentos, alimentista, actúe con mala conducta o falta de aplicación al trabajo. Esta cesación es temporal mientras subsista la causa citada.

  Dando una visión rápida por el Código Civil podemos recordar que por   Alimentos se entiende las aportaciones que debe realizar el que esté obligado a prestarlos  consistentes en lo necesario para vivir y desarrollar una vida digna según los medios  de vida de la persona obligada a prestarlos.

    Considera el Código Civil en su artículo 143 que  hay obligación de prestar alimentos a los cónyuges , a los ascendientes y a los descendientes.  En el artículo 148 se prescribe que  la obligación  de dar alimentos será exigible  desde que los necesitaré la persona que tengo derecho  a percibirlos.  Siguiendo  el Código  Civil es de recordar que  el caudal de los alimentos será proporcionado a la fortuna o medios  del que da y a las necesidades del que recibe.  Esta obligación de dar alimentos, permite la ley , se puede hacer o a través de una pensión  periódica o manteniendo en la propia casa al  que tiene derecho a percibir los alimentos.

     ¿Cuándo  cesa la obligación de prestar alimentos?.

         El artículo 152, que es en el que se basa la  petición de la madre y admitida por sentencia, nos dice que en caso de muerte como es lógico. Cuando la fortuna del obligado a darlos se redujera a tal punto que no le permita atender a su propias necesidades  y a las de su familia. Es de destacar que otra de las formas de cese de la obligación se produce cuando el alimentista puede o ejerce un oficio, una  profesión o industria  o haya mejorado su fortuna.

        En el caso, seguimos  con el 152, que el alimentista incurra en alguna de las causas del Código Civil de desheredación , serán motivo para solicitar la cesación de la obligación, en este caso de forma permanente.  Y la que  hemos citado el punto 5, del artículo, que cuando hablemos de la obligación para dar alimentos a un descendiente esta   puede cesar en base a mala conducta o falta de aplicación al trabajo. Recordamos que mientras subsista la causa citada.
       En la Sentencia de la Audiencia  no se admite que la madre pueda vivir en la vivienda habitual de ambos, que recordemos era propiedad de los padres del ex-marido, y le da un plazo de seis meses para buscar una nueva vivienda.

miércoles, 1 de junio de 2016

Eu Nunca Guardei Rebanhos, por Alberto Caeiro/Fernando Pessoa





Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural —
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)
Do livro “O Guardador de Rebanhos”